Adoçaram a boca dos brasileiros

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O acordo entre Ministério da Saúde e as associação industriais para reduzir a quantidade de açúcar nos alimentos industrializados, desculpem o trocadilho, somente adoça a boca do consumidor e da opinião pública. Continuará cabendo a nós selecionar muito bem o que comemos para não consumir excesso de açúcar, especialmente aos pais de crianças e de adolescentes.

A meta de cortar 144 mil toneladas de açúcar dos alimentos nos próximos quatro anos parece relevante, mas considera o teor máximo em cada produto. Por isso, a quantidade de açúcar, muitas vezes, ficará na média atual do mercado. Além disso, as indústrias não serão obrigadas a aderir, pois o acordo prevê participação voluntária.

Nem precisaria enfatizar que açúcar demais é fator primordial em doenças como diabetes. Também é uma das causas da obesidade e das cáries. Até porque praticamente tudo o que vai à mesa de refeição tem açúcar, mesmo que não seja adicionado na produção nem no preparo. Consumimos diariamente carboidratos como frutose (frutas), lactose (leite e derivados), sacarose (extraído da cana de açúcar e beterraba), amido (batata, arroz, trigo) etc.

Parte dos alimentos ultraprocessados contém alto teor de açúcar, como são os casos de doces, sorvetes, refrescos, biscoitos recheados, achocolatados, refrigerantes etc.
Embora a passagem bíblica enfatize que o mal não seja o que entra, mas sim o que sai pela boca do homem (as palavras que ferem e machucam o próximo), no caso da alimentação, o mal está no que consumimos.

Excesso de gordura, sal e açúcar está dentre os principais agentes das doenças e do envelhecimento precoce. O costume de adoçar tudo vem da infância e é raro encontrar alguém que não goste de doces, balas, biscoitos, refrigerantes etc. Da mesma forma, temos péssimos hábitos relativos ao sal.

A imagem da pessoa que usa o saleiro com vigor para temperar as batatas fritas é mais comum do que deveria.
Antes, talvez não nos preocupássemos tanto com isso porque vivíamos muito menos. A expectativa de vida dos brasileiros aumentou 25 anos entre 1960 e 2010, revelou o Censo daquele ano.

Viver mais é uma bênção, mas implica mais cuidados com os hábitos de saúde. Dieta saudável e equilibrada, exercícios físicos regulares e boas horas de sono não são opcionais para quem quiser aproveitar os anos a mais de que dispomos.
Salgar e adoçar os alimentos funciona como um muro de contenção da vida mais longa.

Maria Inês Dolci

in Folha de São Paulo

12.12.2018

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