Não há solução simples para a saúde privada.

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A disrupção – inovação que cria um novo mercado e afeta os negócios de empresas tradicionais – está mudando a vida do consumidor. Aumentou, por exemplo, a concorrência entre táxis e transporte via aplicativos, e ampliou a oferta de hospedagem fora de hotéis. Também cresce em áreas como TV por assinatura e finanças. Mas o maior potencial de impacto talvez seja na saúde, com cartões de desconto e pré-pagos para exames e consultas. O consumidor, porém, deve saber que há diferenças entre plano de saúde e estes serviços.

As maiores despesas na medicina ocorrem com cirurgias e internações, principalmente em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Quem decidir abrir mão do plano de saúde em função dos preços elevados, portanto, terá de poupar para uma situação destas, pois terá de desembolsar muito dinheiro ou recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Alguns exames mais sofisticados também são caros, mas nada se compara aos cuidados pós-cirúrgicos de uma traqueostomia (procedimento de abertura da traquéia para superar obstrução da respiração), cirurgias de coração aberto e transplantes.
Deve-se observar, também, que os cartões pré-pagos e de descontos não têm garantias como o Rol de Procedimentos da ANS, agência reguladora da saúde suplementar.

O crescimento das vendas destes cartões não decorre somente de dificuldades financeiras dos consumidores, mas também da escassa oferta de planos de saúde individuais ou familiares, especialmente no caso de pessoas idosas.
Como a longevidade está aumentando nas últimas décadas, é fundamental fazer poupança desde a juventude para garantir tratamento médico na chamada terceira idade.

Nos últimos anos, algumas operadoras se dedicaram à assistência médico-hospitalar para pessoas com mais de 50 anos. Para reduzir os preços, utilizam uma rede de clínicas, laboratórios e hospitais próprios. O consumidor, nesse caso, tem se contentar com estes recursos.

Sempre podemos ter fé de que o SUS seja mais bem administrado e receba mais recursos, a fim de cumprir plenamente seu papel na saúde pública. Mas não há, no horizonte próximo, estimativa de exponencial aumento de dinheiro para a saúde, pois o déficit fiscal do Brasil é gigantesco.

Gostaria, sinceramente, de comentar um quadro bem melhor do que este, mas, por enquanto, a única esperança para o futuro é o emprego da inteligência artificial na medicina, unificando dados sobre os pacientes, e os registros sobre doenças e tratamento, a um custo muito mais acessível, como conta o historiador Yuval Noah Harari, em seu livro “21 lições para o século 21”, no capítulo sobre “Trabalho”.

Maria Inês Dolci

In Folha de São Paulo 

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