Banda estreita na Internet está atrasando o Brasil

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Uma das prioridades de qualquer governo digno desse nome seria universalizar os serviços de telecomunicações, em especial o acesso à banda larga.

Em mais de dois mil municípios brasileiros, há banda estreita, lenta, que dificulta o acesso ao conhecimento e os negócios. Enquanto os cidadãos sofrem pela inexistência ou precariedade deste serviço, bilhões de reais do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) não são empregados como deveriam.

Se há dificuldades legais para que o Fust ajude a bancar banda larga em municípios nos quais as teles não investem, que mudem a lei. Como foi discutido, recentemente, durante apresentação do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT), na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas que façam isso rapidamente, pois estamos ficando para trás.

Em vários países, as discussões são sobre Inteligência Artificial, nanotecnologia (circuitos e dispositivos atômicos ou moleculares), impactos da robótica no emprego e nos serviços. Por aqui, a tecnologia sequer é utilizada adequadamente para melhorar transporte coletivo, segurança, saúde e educação.

Se alguém acredita que os problemas das telecomunicações decorrem das privatizações, lembro que telefone era um artigo tão raro que era lançado na declaração de Imposto de Renda. E as teles todas eram estatais.

O que falta é interesse em transformar o país para que haja mais igualdade de oportunidades, um dos pressupostos da democracia. Disse que os governos não se preocupavam com as telecomunicações, mas, permitam-me retificar: preocupam-se, sim, em aumentar as alíquotas de ICMS destes serviços para compensar sua incompetência administrativa.

É comum que especialistas opinem sobre a concentração de renda e a exclusão social do país. Nesta temporada pré-eleitoral, o tema volta à baila, pois os candidatos à Presidência não têm como evitar o assunto.

O INSS anunciou que só receberá pedidos de aposentadoria (por idade e salário-maternidade) via telefone e Internet. Quem não tem conexão rápida, é obrigado a exercitar sua paciência à espera de atendimento no telefone 135 para pleitear seu benefício.

Não há como mudar este quadro com exclusão tecnológica. Fust neles!

Maria Inês Dolci

in Folha de São Paulo 

23.05.2018

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