Se houver risco, aviões devem ficar no solo

Membros, Noticias

Quem compra uma passagem de avião, quer, acima de tudo, chegar vivo ao seu destino, com rapidez e conforto. Na dúvida em relação à segurança, por menor que seja, devem-se suspender voos, deixar aeronaves em solo, enfim, ter a máxima cautela. Por isso, agiram corretamente os mais de 50 países e a Gol que suspenderam voos com o modelo 737 Max 8, da Boeing, após tragédia na Etiópia que matou 1657 pessoas a bordo, no último dia 10.

Isso deveria ocorrer com mais frequência em todos os ramos do transporte. O barco não tem coletes salva-vidas para todos? Cancele-se a viagem. O proprietário não atendeu a um recall do carro? Que fique na garagem até solucionar o problema de segurança.

O transporte aéreo é, incontestavelmente, um dos mais seguros do mundo, quando se comparam número de passageiros transportados versus mortos e feridos. Mesmo assim, aviões transportam dezenas ou centenas de pessoas, voam a milhares de metros de altitude e são sujeitos a turbulências. Essa combinação de fatores faz com que muitas pessoas tenham medo de usar este meio de transporte, ainda que, repito, seja bem seguro.

É fundamental que os consumidores tenham acesso a mais informações nos sites das companhias aéreas sobre aspectos de segurança. Inclusive sobre providências adotadas em casos como o do Max 8.
E que o rigor se estenda ao transporte rodoviário, marítimo, hidroviário de pessoas – pois o ferroviário de passageiros, lamentavelmente, quase não existe no país.

Pilotos, a propósito, assim como engenheiros e técnicos, são os profissionais que mais podem contribuir para a segurança dos voos. Eles percebem quando há dificuldades e ameaças à integridade da tripulação e dos passageiros.

Se eles fossem mais ouvidos e acatados, talvez se evitassem tragédias como a ocorrida na Etiópia. Afinal, investigações iniciais teriam apontado mau funcionamento do sistema de estabilização do voo no acidente com este mesmo modelo, em maio de 2017, que vitimou 189 pessoas ao cair no litoral da Indonésia.

Há áreas da economia que lidam próximas da vida e da morte, como aviação, saúde e segurança, que não podem ser tratadas da mesma forma que outras, potencialmente menos sujeitas a graves acidentes.

Os fabricantes de aviões, equipamentos de voos, dirigentes de companhias aéreas e de agências reguladoras nesta área têm de entender isto, e pensar ainda mais no pessoal que trabalha a bordo e nos passageiros.

Cotações nas bolsas de valores e participações no mercado são importantíssimas, mas em primeiro plano estão, ou deveriam estar, as pessoas.

Maria Inês Dolci

In Folha de São Paulo online

20.03.2019

Deixe uma resposta