Ícones de consumo balançam, mas não caem

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Dois ícones do consumo estão em profunda transformação: casa própria e automóvel particular. Não é raro encontrar jovens adultos que não têm habilitação para dirigir e nunca pensaram em comprar um imóvel, pois preferem a flexibilidade proporcionada pelo aluguel.

Mesmo aqueles que sabem dirigir têm opções de uso solidário, como carsharing, o compartilhamento de veículos por horas ou dias. A carona solidária, lamentavelmente, ainda é afetada pelo temor da violência.

Nos últimos anos, a preocupação ambiental tem feito o consumidor se interessar por carros elétricos, mas a oferta não estimula este tipo de investimento na mobilidade sem o uso de combustíveis fósseis.

Evidentemente, em um país com matriz energética maioritariamente hidrelétrica, não se pode dizer que a eletricidade não agrida o ambiente. Há danos à fauna, à flora e aos seres humanos, que muitas vezes são obrigados a deixar uma antiga moradia que será alagada.

Ainda assim, o carro elétrico é visto como sucedâneo limpo dos movidos a gasolina e diesel, pois as baterias podem ser solares. Mas não há indícios de que tenhamos tão cedo opções mais ajustadas ao bolso dos brasileiros.
Sempre que há mudança na demanda, porém, a oferta tem de se adaptar. Da mesma forma que fabricantes de refrigerante compram indústrias de suco e de chá, as montadoras terão de oferecer veículos mais palatáveis ao perfil do consumidor mais consciente.

As companhias que atuam no mercado de incorporação e venda de imóveis também terão de descobrir formas de atrair quem não sonha com a casa própria. Uma das inovações tem sido os apartamentos compactos para solteiros, com muitos serviços no imóvel e no condomínio, como varanda gourmet, academia de ginástica e lavanderia. Neles também conta a localização, geralmente perto do trabalho, do comércio e das opções de lazer.

Não são soluções para todos, pois a renda da maioria continua – e, lamentavelmente, continuará a ser por muito tempo – baixa para dar acesso a tais inovações. Mas as mudanças parecem vir para ficar.

Maria Inês Dolci, Proteste Brasil
in linkedin, 03.05.2018

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