Longa agonia dos Correios pede fim do monopólio público

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Parece mentira que já houve época em que o Sedex, documento ou mercadoria com envio expresso pelos Correios, era entregue no dia seguinte, ou um pouco depois, quando o destino era uma cidade do interior. Hoje, os Correios não são nem a sombra da instituição em que todos confiavam, e que a maioria elogiava. Não há nenhuma razão para que continue uma empresa pública, pois a penúria financeira e o histórico de má gestão do Estado brasileiro inviabilizam sua evolução e equilíbrio das contas.

Ninguém está satisfeito com a situação. Consumidores reclamam da demora e dos preços cada vez mais salgados para despacho de encomendas. Carteiros estiveram em greve recentemente, por não aceitar, dentre outras coisas, cortes na concessão de plano de saúde. Também se queixam da falta de pessoal e das más condições de trabalho.

Quem paga a conta, quer serviço. Monopólios públicos ou privados costumam ser o pior dos mundos para os clientes. Abrir o mercado e fomentar a concorrência é a medida óbvia, deixando ao governo federal somente a regulação desta área, principalmente para que alguns serviços não se tornem caros demais para a população de baixa renda, como seria o caso da carta simples.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem uma história muito bonita, iniciada no século XVII. Tem prestado, ao longo do tempo, muitos serviços aos brasileiros. Mas, nos últimos anos, enfrenta todo o tipo de dificuldade, inclusive no Postalis, o fundo de pensão de seus funcionários.

A multiplicação do correio eletrônico (e-mail), das postagens em redes sociais e dos aplicativos de comunicação instantânea, evidentemente, afetaram o antigo mercado postal. O comércio eletrônico e os serviços financeiros postais, contudo, têm aberto novas possibilidades de negócios.

É normal que haja resistências dos funcionários e sindicais a mudanças no formato de atuação dos Correios. Deve prevalecer, entretanto, o interesse da maioria da população. Ingerências políticas ocorrem em todos os serviços e empresas públicas, encarecendo seus custos, aumentando a burocracia e reduzindo a eficiência.
Não significa que uma privatização resolva todos os gargalos, como a violência que deixa quase metade do Rio de Janeiro, por exemplo, com restrições para a entrega de produtos. Essa é uma questão muito mais ampla, de segurança pública, cuja solução o Brasil ainda nem começou a esboçar.
Algo tem de ser feito, porém, e já. Sem boa gestão, valorização profissional e lucratividade, o serviço postal continuará definhando.

in Folha de São Paulo
02.maio.2018

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