Papai Noel no WhatsApp tem cheiro de golpe

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Quem duvidava que os criminosos também pegassem carona no sucesso do WhatsApp para aplicar seus golpes? Dezenas de milhares de brasileiros clicaram em um link que supostamente os habilitaria a ganhar um ingresso para o filme “Vingadores”.

Link malicioso, é claro, que exigia o compartilhamento com amigos. Outros virão, certamente, porque continuamos compartilhando vídeos, fotos, correntes, gifs, fake news, sem checar se contêm vírus, atormentando a vida de amigos, familiares, colegas e conhecidos. Já está passando da hora de entender que usar meios de comunicação instantâneos, digitais, exige responsabilidade e bom senso.
Há algo em comum entre os novíssimos e os antiquíssimos golpes, que viraram folclore, como o do bilhete premiado, em troca do qual o criminoso exigia dinheiro vivo: a cobiça que afeta o raciocínio. Somos prejudicados quando desligamos o desconfiômetro pela vontade de levar vantagem.

Um ingresso de cinema, obviamente, não é um benefício barato. Clicar em um link, contudo, facilita a vida dos malfeitores.
Temos de ficar ligados até em e-mails promocionais. O ideal é clicar no site da empresa responsável pela promoção. Um amigo recebeu inúmeras mensagens eletrônicas atribuídas a uma companhia aérea, alegando mudança de horário em um voo. Isso exigiria dele clicar em um link para verificar se aceitaria a troca proposta pela companhia, ou se escolheria outra opção. Ele entrou no site da empresa aérea, e não havia mudança alguma. Seria muito fácil cair neste golpe. Assim como nunca devemos confirmar nosso nome uma ligação telefônica. O correto é o tradicional “quer falar com quem?”.

Pode parecer excesso de precaução, mas há muitas pessoas que se dedicam a inventar novas formas de enganar os outros. Hoje já não tentam vender o Pão de Açúcar nem o Viaduto do Chá, mas ainda vendem bilhetes premiados, por incrível que pareça.

Em meio a centenas de e-mails, mensagens de WhatsApp e outros meios de comunicação digital, podemos nos descuidar e ter muito prejuízo. O pior é quando as perdas não se restringem a dinheiro. Atenção redobrada, pois. Na dúvida, abra mão de qualquer prêmio, convite, promoção e benefício.

PS – Alô Banco Central, alô Banco Votorantim, alô Neon Pagamentos: os clientes continuam esperando a liberação total das operações financeiras.

Maria Inês Dolci

In Folha de São Paulo

16.05.2018

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