Três pinos da discórdia torram tempo e dinheiro

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Se as autoridades resolvessem sustar a obrigatoriedade da tomada de três pinos há oito anos, eu comemoraria a correção de um erro. Atualmente, seria um novo equívoco mexer neste padrão, como cogita o governo federal, porque já custou tempo e dinheiro aos brasileiros.

Até o ano passado, segundo a revista Época, consumiu mais de R$ 1,4 bilhão. No dia 1º de julho, a obrigatoriedade desta tomada completará oito anos.

Tenho, hoje, as mesmas restrições que em 2011: de que adianta o terceiro pino, em termos de segurança, se metade das casas e apartamentos não são aterrados? Isto posto, não há por que desfazer uma medida que já foi absorvida pela população.

Até porque, convenhamos, há questões muito mais urgentes, como tomar providências para reativar a economia, anémica desde 2014, para que os empregos formais voltem existir.

Há reformas em andamento no Congresso Nacional, como a da Previdência e a Tributária, que demandam debates e extremo cuidado, pois afetarão a todos nós, de alguma forma. E temos de debater, urgentemente, a transformação no mercado de trabalho, inteligência artificial e algoritmos. Além disso, ainda não estamos preparados para cuidar bem das pessoas com 60 anos ou mais, em um país que, em breve, terá população maioritariamente idosa.

Não se pode governar ao sabor dos impulsos. É lamentável ter de defender a manutenção de algo com o que não concordo. Revogar o uso obrigatório desta tomada, porém, seria como exigir, de novo, que os motoristas tivessem um kit de primeiros socorros.

Para quem não se lembra, o artigo 112 do Código Brasileiro de Trânsito estabelecia “o porte obrigatório de materiais e equipamentos de primeiros socorros” – dois rolos de ataduras, um rolo de esparadrapo, dois pacotes de gaze, uma bandagem de tecido de algodão, dois pares de luvas e uma tesoura.
A resolução n º 42 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) entrou em vigor em janeiro de 1999, muitos motoristas gastaram para seguir a lei, outros foram multados por dirigir sem o kit, até que em abril daquele ano o artigo 112 foi revogado. A resolução durou, portanto, uns três meses.

Em 2009, resolução nº 333, do Contran, obrigava os proprietários de veículos a substituir extintores de incêndio antigos por novos modelos do tipo ABC. Deveria valer em outubro de 2015, mas, um mês antes, nova resolução tornou o extintor opcional, exceto em veículos comerciais para transporte de passageiros, veículos pesados e usados no transporte de produtos inflamáveis.

Haja dinheiro e paciência para este vaivém de resoluções.

Maria Inês Dolci

in Folha de São Paulo

27.junho.2019

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