Consumidores devem se precaver contra eventos climáticos extremos

Noticias, OPINIÃO

Se o Super El Niño (consultar o site euronews) for tão terrível quanto o projetado, o consumidor brasileiro enfrentará ameaças à saúde e à vida, provocadas pelas ondas de calor, enchentes, deslizamentos e seca. Também sentirá os efeitos no bolso, pois esse fenômeno poderá impactar as tarifas de energia elétrica, as colheitas e o transporte de alimentos.

A enchente de maio de 2024, a maior da história do Rio Grande do Sul, provocou 185 mortes. Ainda há locais com extrema vulnerabilidade a chuvas em excesso. A recente onda de calor no verão europeu já causou mais de 1,3 mil mortes, em países que têm enfrentado temperaturas acima de 30ºC e até de 40ºC.

Nós não estamos preparados para o Super El Niño, que ameaça provocar enchentes e deslizamentos no Sul; calor fora de época no Sudeste, e secas nas regiões Norte e Nordeste.

Mundialmente, tem havido medidas de transição ambiental para amenizar os eventos climáticos, como a proibição, pela União Europeia, da venda de carros novos movidos a diesel e gasolina, a partir de 2035 nas nações que integram o bloco. Mas essa medida foi ‘flexibilizada’ para aliviar a crise automotiva de fabricantes europeus.

A grande dificuldade recorrente é adotar ações que reduzam as emissões de gases do efeito estufa, que frequentemente não são aceitas por agentes econômicos. Quando um negacionista assume a presidência de países importantes como os Estados Unidos, caso de Donald Trump, há retrocessos incríveis.

Recentemente, Trump anunciou US$ 700 milhões para usinas a carvão. No Brasil, o Congresso Nacional aprovou o chamado “PL da Devastação“, lei que flexibilizou regras de licenciamento ambiental. O governo federal sancionou a lei com vetos, que foram derrubados pelos congressistas.

Ou seja, com ondas recordistas de calor, com Super El Niño, com risco de enchentes, secas e queimadas, não devemos nos enganar: não há uma transição ambiental que possa evitar, por enquanto, eventos extremos. Nem sequer há ações eficientes para minimizar as consequências das mudanças climáticas. O que nos resta é fazer o que pudermos para reduzir as perdas provocadas pelo clima adverso.

Isso implica, para quem tiver condições, ter seguro residencial com proteção contra eventos como inundações e vendavais; criar um plano B em caso de alagamentos ou deslizamento que coloquem em risco sua residência; zelar pela limpeza da sua rua, inclusive dos bueiros; cadastrar-se para receber avisos da Defesa Civil; ter em mãos um kit emergencial, com água mineral, alimentos não perecíveis, lanterna e itens de primeiros-socorros.
Proprietários de veículos devem verificar se as apólices de seguro automotivo cobrem alagamentos, queda de árvores, ventania etc.

Sem pretender azedar a semana de ninguém, é isso que podemos fazer.

Claúdio Consídera, Conselheiro da CONSUMARE

In Estadão, 29.06.2026

Deixe um comentário