Apostas digitais são o maior malefício aos consumidores
Quase R$ 351 bilhões transferidos de pessoas físicas para bets, mostrou reportagem do Estadão. Esse montante é o retrato dos males provocados pelas apostas digitais a milhões de brasileiros, que deixam de consumir produtos como alimentos, medicamentos, roupas e calçados, livros, bem como desfrutar de serviços voltados ao lazer. Sem dúvida, esse casino digital é o maior dano já provocado aos consumidores do país.
Jogos digitais ou apostas digitais, obviamente, não se enquadram na categoria de drogas químicas, mas causam dependência, transtornos e prejuízos financeiros.
Confesso não entender por que as bets (apostas digitais) são permitidas, e os cassinos instalados em hotéis são proibidos. A bet tem acesso universal, independentemente da renda de quem aposte. Um casino pode limitar o acesso considerando, além da idade mínima, a renda familiar do jogador.
Uma bet não está associada a entretenimento nem turismo, como é o caso dos cassinos, que costumam estar vinculados a hotéis, com shows musicais etc. Quando se defende a ampliação do mercado consumidor, não se deveria incluir no rol de serviços acessados o jogo digital.
Jogar em um cassino é bem mais caro do que uma aposta em bet. Como costumam se localizar em determinadas regiões turísticas, demandam viagem, hospedagem e alimentação.
Vícios são relativamente fáceis de adquirir, mas extremamente difíceis de combater. Nos segmentos de renda mais baixa – como os beneficiários do Bolsa Família, que foram proibidos de fazer apostas digitais -, mesmo pequenos valores fazem falta às famílias. E em caso de adictos dos jogos, essa dependência se torna um gravíssimo problema social e familiar.
Alega-se que a regularização das bets evita o jogo ilegal, que ocorreria de qualquer forma. Não acredito nisso. Se países conseguem impedir o acesso a redes sociais, seria possível, sim, banir os jogos digitais.
Lamentavelmente, os candidatos à Presidência da República parecem ter outras preocupações em suas campanhas.
Claúdio Consídera, Conselheiro da CONSUMARE
In Estadão, 17.08.2026
