PIX E GOLPES: NÃO BASTA DEVOLVER. É PRECISO PREVENIR.
O PIX revolucionou a forma como movimentamos dinheiro. Trouxe rapidez, praticidade e inclusão. Mas trouxe também um novo desafio: a fraude passou a acontecer na velocidade de um clique. PIX não basta devolver. É preciso prevenir.
E os golpes se sofisticaram. Hoje, o dinheiro obtido fraudulentamente pode passar rapidamente por diferentes contas, dificultando seu bloqueio e eventual recuperação. Por isso, os mecanismos de rastreamento e devolução do PIX estão sendo aprimorados para acompanhar também essa nova realidade. PIX não basta devolver. É preciso prevenir.
A mudança é importante. Mas ela nos leva a uma discussão ainda maior: A proteção do consumidor deve começar somente depois que o dinheiro desapareceu? Não.
No ambiente digital, segurança também significa prevenção. Instituições financeiras e de pagamento dispõem de tecnologia, dados e mecanismos capazes de identificar padrões incomuns, movimentações suspeitas e comportamentos incompatíveis com o histórico de determinadas contas.
É claro que cada fraude precisa ser analisada de acordo com suas circunstâncias. Mas não podemos aceitar que toda a responsabilidade pela segurança seja simplesmente transferida ao consumidor.
Orientá-lo é fundamental. Investir em educação digital também.
Mas quem oferece a tecnologia e coloca o serviço no mercado também precisa investir permanentemente em segurança. Esse é um ponto central do Direito do Consumidor: a inovação não pode ampliar apenas a velocidade das transações. Precisa ampliar também a capacidade de proteção.
Porque o verdadeiro avanço não está somente em recuperar o dinheiro depois do golpe. Está em desenvolver um sistema capaz de impedir, cada vez mais, que o golpe se complete.
Maria Inês, Presidente da Direção da CONSUMARE
