Consumo colaborativo é opção mais sustentável e reduz custos
Por Claúdio Consídera, Conselheiro da CONSUMARE

Vale a pena adotar o consumo colaborativo, em que bens e serviços são compartilhados em lugar de adquiridos? Sim, faz bem para o bolso e o para o meio ambiente, evitando o consumismo que demanda mais recursos do que o planeta Terra pode produzir. E não há necessidade de que tudo seja compartilhado. Se adotada ao menos parcialmente, essa forma de viver e de consumir já será muito positiva para todos nós.
Vejamos um exemplo: para pessoas que morem sozinhas, talvez seja melhor usar aplicativos de transporte do que bancar os custos de um automóvel próprio. E alugar um imóvel, ao invés de comprá-lo.
Imagine a situação de uma pessoa que more na capital carioca, em que os termômetros raramente caem abaixo de 15ºC, que vá passar uns meses em uma cidade do hemisfério norte, com inverno rigoroso. Ela poderá trocar algum bem, como uma bike, por um agasalho pesado, pelo tempo em que ficará no exterior.
Nos últimos anos, avançou muito a hospedagem em quartos ou imóveis oferecidos por pessoas que compartilham espaços. Também os marketplaces em que há compra, venda e troca de produtos usados, dentre eles roupas, óculos, relógios, móveis, aquecedores etc.
Há, além disso, sites de permuta de serviços, para empresas e profissionais liberais. Eles costumam trabalhar com moeda própria, que vale dentro do site, tanto para receber pelos produtos e serviços, quanto para adquirir outros de que necessitem.
Nesses casos, a grande vantagem é utilizar suas potencialidades em produtos e serviços para adquirir outros, sem o uso de reais nem de moedas estrangeiras. Além disso, diferenciam-se do tradicional escambo por receberem créditos pelo que vendam ou serviços que prestem, sem a necessidade de uma troca direta, algo que nem sempre é fácil.
Há, ainda, os sites de empréstimo, que estimulam as trocas entre vizinhos. E os coworkings, espaços de trabalho compartilhado, com infraestrutura adequada, que propiciam local para uma reunião ou outras formas de trabalho.
Para algumas pessoas, podem não parecer atrativos, pela necessidade de interagir com desconhecidos. Mas é um exercício interessante de desapego ao consumo e à propriedade, em um mundo em que já há grande escassez de água e de outros insumos.
Pesquise e pense mais nessas possibilidades de colaboração e de compartilhamento.
In ESTADÃO150, 07.07.2025
