Desenvolvimento que chega às pessoas
Angola reforça iniciativas em saneamento e inclusão financeira e coloca em evidência uma questão essencial: como transformar avanços económicos e sociais em direitos, proteção e melhor qualidade de vida para os cidadãos e consumidores? Angola vem avançando na consolidação de políticas públicas diretamente relacionadas à qualidade de vida, à inclusão social e à proteção dos cidadãos. Desenvolvimento que chega às pessoas!
No dia 10 de setembro de 2026, o Governo angolano promoveu, em Luanda, um Encontro no âmbito do Fórum Nacional de Auscultação sobre o Saneamento (FONAS), reafirmando o saneamento como uma prioridade estratégica para o desenvolvimento do país. A iniciativa evidencia a importância de políticas capazes de articular saúde pública, qualidade ambiental, dignidade humana e melhoria das condições de vida da população.
Ao mesmo tempo, a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025–2027 estabelece metas destinadas a ampliar o acesso da população aos serviços financeiros, trazendo nos objetivos, a promoção da literacia financeira e o reforço da proteção do consumidor.
À primeira vista, saneamento e inclusão financeira podem parecer agendas distintas. Na realidade, encontram-se num ponto essencial: ambos interferem diretamente na vida das pessoas e constituem instrumentos de inclusão, redução de vulnerabilidades e desenvolvimento social.
Garantir melhores condições de saneamento significa proteger a saúde e a dignidade. Ampliar a inclusão financeira, acompanhada de informação, educação e proteção adequada, significa criar oportunidades sem expor o cidadão a novas formas de vulnerabilidade.
Esse olhar integrado torna-se ainda mais relevante num cenário em que o desenvolvimento económico e a transformação tecnológica ampliam o acesso a produtos e serviços, o que poderá criar novas desigualdades e riscos. Crescer não basta: é necessário assegurar que os benefícios do desenvolvimento alcancem efetivamente a população.
O desafio, portanto, vai além de ampliar infraestruturas ou serviços. Está exatamente em assegurar que o desenvolvimento se traduza em direitos efetivos, acesso, segurança, informação e melhoria concreta da qualidade de vida.
Para as organizações de defesa do consumidor, essa reflexão também amplia o próprio significado da proteção: defender o consumidor é contribuir para uma sociedade mais informada, inclusiva e capaz de exercer plenamente seus direitos.
Colocar o cidadão e o consumidor no centro desse processo é transformar desenvolvimento económico em desenvolvimento humano. Desenvolvimento que chega às pessoas!
Maria Inês Dolci, Presidente da Direção da CONSUMARE
