Lições de 2025 podem melhorar ou piorar 2026
Lições de 2025 podem melhorar 2026, ou piorar se nada mudar? O que 2025 nos deixou de aprendizado nas relações pessoais e de consumo? Certamente, muitas lições, dentre elas que os eventos climáticos extremos têm feito as pessoas sofrerem, especialmente nas grandes metrópoles, com instabilidade no abastecimento de energia elétrica e de água, além de transtornos crescentes no trânsito. Fica claro que as concessionárias de água e de energia têm deixado a desejar no enfrentamento de crises como secas e inundações cada vez mais frequentes.
As empresas e as autoridades se defendem, culpam a intensidade das chuvas, a velocidade dos ventos e os longos períodos de seca. São explicações que, infelizmente, não solucionam os graves problemas enfrentados por milhões de brasileiros.
Uma dessas crises mais recentes, que teve a Enel ao centro, provocou jogo de empurra entre os governos municipal, estadual e federal. Já a empresa alegou que as podas de árvores foram solicitadas, mas não feitas.
O consumidor que vários vezes ficou sem energia, básica para qualquer atividade diária, assiste essa troca de acusações sem esperança de solução.
É chato começar um ano novo reclamando de incompetência e do desleixo, mas o que mais preocupa não são o passado e o presente, mas o futuro. Amanhã ou depois, enfrentaremos, novamente, situações climáticas adversas. Apesar das advertências dos cientistas, a construção de prédios de concreto segue acelerada. O asfalto não ecológico recobre nossas ruas e avenidas.
O verde, no caso de São Paulo e de outras grandes cidades, continua concentrado em algumas regiões, quase ausente em outras. Milhões de veículos queimam combustíveis fósseis, enquanto as linhas de metrô demoram anos para serem construídas.
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 que ocorreu em novembro último, em Belém, obteve ampla cobertura dos meios de comunicação e muitas discussões. Mas, no dia seguinte ao término do grande evento, os países parecem ter esquecido de todos os temas abordados.
O Congresso Nacional aprovou em 2025 o licenciamento ambiental expresso, uma ameaça ao meio ambiente. A lei foi vetada, mas os dedicados parlamentares derrubaram o veto.
O transporte de cargas ainda é, maioritariamente, feito por via rodoviária, no Brasil, devido ao uso insuficiente de hidrovias e de ferrovias.
O trabalho que temos pela frente é imenso, mas não é impossível de ser realizado. Todos teremos de agir para que não sejamos derrotados pelo clima, que ajudamos a destruir. O futuro balanço de 2026 dependerá de nossa dedicação, coragem e eficiência.
Maria Inês Dolci, Presidente da Direção,
In Folha de São Paulo online, 05.01.2026
