Consumo de idosos, informais e moradores de favelas não pode ficar em segundo plano
O mercado de consumo está, aos poucos, ‘descobrindo’ um de seus maiores públicos potenciais: os idosos. Além disso, tem de ficar atento às favelas, em que viviam, conforme o mais recente censo do IBGE, mais de 16 milhões de pessoas. E mesmo a construção civil, sempre exigente em termos de comprovação de renda, terá de criar modalidades de imóveis para quem viva na informalidade – quase 40 milhões de brasileiros.
O grande desafio é como vender para quem não possa comprovar sua renda familiar. Mas como deixar de atender a quase 20% da população? Esses trabalhadores são obrigados a comprar à vista ou com cartões de crédito. E em minimercados pelo Brasil afora ainda subsiste a compra em cadernos de fiado, nas quais o valor da compra é registrado e cobrado em data combinada.
Estima-se que a economia das favelas movimente R$ 300 bilhões por ano no Brasil. Segundo o Instituto Data Favela, que levantou esse dado, há 12,3 mil favelas no país, com 6,6 milhões de domicílios, em que vivem 17 milhões de pessoas.
São moradores que, em muitos casos, têm emprego formal, mas que sofrem discriminação por uma visão antiquada e equivocada dessas comunidades. Há regiões consideradas perigosas, devido à presença de facções criminosas, em que não há delivery, mas essa não é a situação geral das comunidades conhecidas como favelas.
Esse termo, utilizado para assentamentos urbanos informais com moradias precárias, surgiu após a Guerra de Canudos, no final do século XIX. Um dos morros da região de Canudos, no sertão da Bahia, chamava-se Favela. Soldados desta guerra que voltaram para o Rio de Janeiro, ocuparam o Morro da Providência, rebatizado de Favela.
Êxodo rural, urbanização desordenada e encarecimento dos terrenos e moradias empurraram milhões de brasileiros para essas regiões. Mas isso não impede que essas pessoas adquiram bens e serviços.
Da mesma forma, os idosos, mesmo aqueles que sobrevivam exclusivamente das magras aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são consumidores de alimentos, medicamentos, roupas e outros artigos, ainda que tenham de parcelar suas compras ou aproveitar o pagamento do 13º salário.
Oferecer produtos em preços e condições que caibam no bolso de idosos e de moradores de comunidades mais pobres é mais do que uma oportunidade de negócios. É respeitar a cidadania dessas pessoas.
Cláudio Consídera, Conselheiro da CONSUMARE
in Estadão online, 10.11.2025
