Pesquise preços antes de se jogar na Black Friday da Copa

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Cuidado com a Black Friday: Começou a contagem regressiva para a Black Friday (25 de novembro). Milhões de brasileiros e de brasileiras irão às compras, ou melhor, as compras irão até eles, em um dispositivo móvel, laptop ou computador. Como sempre, há promessa de descontos robustos, mas quem pretende comprar smartphones, TVs de tela grande, roupas e livros, deveria anotar agora os preços médios do mercado. Assim, saberá se as promoções valerão mesmo a pena.

A sexta das compras ocorrerá um dia após a estreia do Brasil na Copa do Mundo do Catar. Então, é bem possível que consumidores comprem TVs maiores e mais avançadas para assistir aos próximos jogos.

Faça sua lista, mesmo que não tenha certeza de que abrirá a carteira. Dessa forma, se tiver vontade de comprar por impulso, já terá feito um ‘estudo’ sobre determinados produtos, principalmente os que tenham mais recursos tecnológicos.

Além de verificar se houve mesmo ofertas de preços – comparadas aos valores de agora –, também é fundamental definir exatamente o que queremos adquirir.

Explico: não se escolhe somente uma TV de tela grande, uma impressora, um smartphone, um fone de ouvido ou outras traquitanas eletrônicas. Há uma série de características e de funções que teremos de considerar. E tudo isso faz o preço aumentar. Portanto, avalie bem se precisa mesmo de determinadas funcionalidades, ou se um aparelho mais simples (e com menor preço) atende às suas necessidades.

Faça uma pesquisa, e consulte conhecidos que tenham feito compras semelhantes.

Além disso, analise sua condição financeira. Não aconselho compras a quem já esteja endividado, como 80% das famílias brasileiras. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), este percentual, em setembro último, foi o maior da série histórica da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), iniciada em 2010, para famílias com renda de até 10 salários mínimos.

O desejo de ter mais conforto e tecnologia é legítimo. Advertências como a que faço visam somente à proteção da renda das pessoas, tão afetada por uma persistente inflação dos alimentos, que em setembro chegou a 9,54% nos primeiros nove meses do ano, a maior elevação do período em 28 anos.

Então, se tiver dinheiro, sem dívidas e identificar ofertas verdadeiras no dia 25 de novembro, boas compras!

E um alerta antes de concluir: mais barato não significa de graça ou por preço inferior ao mercado. Se aparecerem ofertas assim em sites desconhecidos, desconsidere. É muito provável que haja alguma pegadinha, ou que nem receba o produto.

Maria Inês Dolci

In Folha de São Paulo Online, 25.10.2022

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